MORTE SÚBITA
 
 

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Morte SÚbita em Atletas Jovens


Difícil de se entender.

    Nós lemos com frequência notícias de sensação nos jornais diários: "Um atleta jovem cai no campo durante um jogo. Ele está em paragem cardíaca quando a equipe médica chega".
    A morte súbita de um jovem atleta, como a morte de qualquer pessoa jovem, é um acontecimento devastador. Parece uma violação inexplicável da ordem natural. Afinal de contas, estes atletas jovens estão em condição física excelente e são exemplo de saúde para todos. Estas mortes apesar de extremamente raras não as torna mais aceitáveis.


Quais são as causas mais frequentes?

    De acordo com o Prof. Dr. João Freitas, cardiologista especialista em Medicina Desportiva, a morte súbita de um atleta jovem está frequentemente relacionada a algum tipo de problema no coração.

Estas são as causas mais prováveis:

  • Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) é a causa responsável mais frequente de morte não violenta de pessoas jovens (menos de 35 anos), previamente sem sintomas. Na CMH, as paredes do coração estão espessadas (hipertrofiadas). Esta hipertrofia pode reduzir o volume do coração e dificultar a ejecção do sangue que sai do ventrículo esquerdo (o que bombeia o sangue para o corpo). Com o aumento da frequência cardíaca durante a actividade física, existe também maior exigência de sangue para os músculos e cérebro. Num coração com cardiomiopatia, esta combinação de exigência aumentada e diminuição da ejecção de sangue pode conduzir a um problema de falta de fornecimento de oxigénio ao músculo cardíaco que por sua vez é anormal o que leva frequentemente também a uma alteração de ritmo cardíaco, frequentemente fatal. A CMH é herdada dos pais em cerca 50 %. Pode manifestar-se a qualquer hora, sem aviso prévio, desde o período pré-natal até cerca da terceira década. Os atletas portadores de CMH com maior risco de morte súbita são os que possuem história familiar de morte súbita e que na sua história pessoal tem perdas de consciência prévia (síncope) e aqueles cuja pressão arterial não sobe durante o esforço. É possível em centros especializados realizar o genótipo dos vários subtipos de CMHO com risco aumentado de morte súbita.
  • Anormalidades estruturais. Às vezes o coração e os grandes vasos (artérias e veias) não se desenvolvem normalmente. Por exemplo, uma artéria coronária pode estar ausente, pode se ramificar ou originar-se incorrectamente. Debaixo do esforço provocado pelo exercício, estas artérias podem não fornecer ao coração as necessidades de volume e fluxo normal de sangue. A maioria destas patologias são congénitas (presentes desde o nascimento), mas não são geralmente aparentes mesmo após um exame físico completo. Anormalidades das válvulas, do tecido conjuntivo (suporte) da artéria principal do corpo humano (aorta), com grande dilatação desta artéria, também podem resultar raramente em morte súbita no atleta jovem (ver Síndroma de Marfan).

    A displasia arritmogénica do ventrículo direito, para alguns autores a segunda causa mais frequente logo a seguir à cardiomiopatia hipertrófica de morte súbita em jovens, tem também uma forte associação genética e pode ser despistada como a cardiomiopatia hipertrófica, após uma auscultação anormal, história familiar de morte súbita ou pessoal de síncope (perda de consciência) ou electrocardiograma sugestivo, por exames de imagem (ecocardiograma ou ressonância magnética nuclear).

  • Miocardite. Esta alteração inflamatória do coração pode ser causada por um simples vírus (síndroma gripal) e mais raramente por outros agentes infecciosos. Pode resultar em doença aguda com sintomas que se assemelham ao da gripe ou constipação vulgar. A inflamação irrita o músculo de coração que após um esforço mesmo que ligeiro ou moderado, pode levar a uma arritmia ventricular importante podendo resultar em morte súbita.
  • Síndroma de Marfan. A maioria das pessoas com esta doença congénita do tecido conjuntivo é alto e longilíneo e frequentemente com articulações laxas. Em tais pessoas, pode estar debilitada a artéria aorta ou estar muito aumentada e por isso susceptível a rasgar ou pode ser rompida durante o exercício (ou mesmo em repouso). O síndrome de Marfan tende a ser mais frequente em algumas famílias pois existe defeito genético.


  • Uso de drogas. Cocaína e outros estimulantes têm efeitos distintos e prejudiciais no coração: podem desencadear espasmos das artérias coronárias e podem causar redução súbita do fluxo de sangue ao próprio coração o que provoca isquemia e por tal, levar a perturbações de ritmo cardíaco. O abuso de drogas a longo prazo pode hipertrofiar (espessar) e/ou bloquear as artérias coronárias, normalmente danificando o músculo de coração formando tecido de cicatriz semelhante ao visto em pessoas mais velhas com doença de artéria coronária tradicional do tipo aterosclerótico.
  • Outras causas. Raramente, a morte súbita pode existir num coração estruturalmente normal em exames de imagem como o ecocardiograma ou a ressonância magnética, como a hemorragia no cérebro sobretudo pela existência de aneurismas congénitos que rebentam, percussão violenta no tórax ("commotio cordis") por uma bola ou murro, Síndrome do QT longo congénito, Síndrome Wolf-Parkinson-White e Síndroma de Brugada. Com excepção da hemorragia cerebral, todas as outras causas mencionadas nesta alínea, o evento final é uma fibrilhação ventricular (arritmia).

Quem está em risco?

    Atletas que normalmente morrem durante prática desportiva de recreio ou competição parecem estar em condição físicas excelentes. De facto, em cerca de 75% destes casos, nem o atleta nem a família se apercebe de qualquer problema de saúde. Mas as vítimas de morte súbita frequentemente possuem certos factores de risco:

  • História familiar de: Morte súbita em idade jovem (antes dos 50 anos); Doença de coração; Perdas de consciência (síncopes).
  • História pessoal prévia de: Tontura ou perda de consciência durante exercício ou precedida de palpitações (síncopes), dor torácica durante o esforço. Palpitações associadas ao esforço.
  • Biótipo com corpo alto e longilíneo, com articulações laxas
  • Electrocardiograma anormal, sendo um exame fundamental de screening.

Prevenção

    "Screening" cuidadoso com história clínica, familiar e exame físico (com particular evidência para a auscultação cardíaca cuidadosa) são os primeiros passos para a prevenção da morte súbita em atletas jovens, de acordo com o Prof. Dr. João Freitas. Se a história clínica ou o exame físico ao atleta revelam qualquer problema suspeito, um eletrocardiograma e, possivelmente um ecocardiograma e/ou um teste de esforço podem ser apropriados.
    A prevenção da morte súbita em pessoas jovens é um desafio. A comunidade pode ajudar, desde que seja educada e preparada para práticas de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) básicas a qual, em algumas situações, pode economizar vidas, nomeadamente a utilização rápida e eficiente de um disfibrilador portátil.

Exemplo de uma recuperação de morte súbita em atletas.

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